desenvolvimento rural
Aproveitamentos hidroagrícolas
Coutada / Tamujais
Apresentação
O aproveitamento hidroagrícola da Coutada/Tamujais desenvolve-se ao longo das ribeiras do Lucriz, dos Tamujais e do Prior, abrangendo cerca de 390 ha, no concelho de Vila Velha de Ródão.
O conjunto de infra-estruturas que integram o aproveitamento hidroagrícola compreende a barragem, ao açude do Retaxo, a estação elevatória e respectivas redes de rega, drenagem e viária.
A gestão do aproveitamento será assegurada pela Junta de Agricultores e beneficiará cerca de 45 agricultores.
Actualmente a barragem encontra-se em fase de primeiro enchimento.
Caracterização edafo-climática
Clima
Atendendo aos registos da estação de Castelo Branco, de acordo com a classificação climática de Koppen, a região é de clima temperado com verões quentes e secos tipo Csa. À luz da classificação racional de Thornthwaite o clima é subhúmido húmido, 2º mesotérmico, com deficit grande de água no verão e, eficácia térmica no verão moderada tipo C2B2S2B4. Como acontece em todo o país, existe um desfasamento entre os regimes térmico e pluviométrico; Os meses mais quentes, Julho e Agosto, são os que apresentam menores precipitações.
Solos
Os solos do perímetro de rega são predominantemente de origem aluvionar e coluvionar apresentando as seguintes características:
- 1/3 da área corresponde a superfícies ocupadas por olival, culturas arvenses e pastagem, suavemente onduladas ou planas, em correspondência com formações sedimentares, S (sedimentos detríticos não consolidados), com declives suaves a moderados (até 6-8%). Por vezes com drenagem imperfeita ou pobre, onde predominam os cambissolos e regossolos
- ¼ da área é composta por terraços aluvionares, T, constituídos por formações aluvionares antigas, em geral cascalhentas, em superfícies planas ou plano-convexas, com declives muito suaves (até2-3%), onde domina o olival. A drenagem é moderada e por vezes imperfeita (nos terraços de menor declive e em superfícies côncavas ou plano-côncavas) com predomínio de regossolos, cambissolos e luvissolos;
- 1/5 da área situa-se em fundos de vales das ribeiras principais correspondendo a formações aluvionares recentes, A, constituindo superfícies planas ou plano-côncavas, com declives muito suaves (até 1-2%). Drenagem moderada (por vezes boa) com domínio de olival. A drenagem é pobre ou impedida, com inundações frequentes em períodos chuvosos, ocupadas por culturas arvenses de sequeiro. Predominam os fluvissolos;
- 1/5 da área situa-se em fundos de vales secundários e fundos de encostas adjacentes aos vales principais, de formações coluvionares, B; superfícies plano-côncavas ou côncavas com declives muito suaves a suaves (até 2-4%). Drenagem boa a imperfeita, com domínio de olival ou, imperfeita a pobre, em pastagens ou culturas arvenses, por vezes regadas. Predominam os regossolos e os cambissolos.
Ocupação cultural
A cultura dominante no perímetro de rega é olival antigo de sequeiro. A agricultura de regadio praticada actualmente consiste em tabaco ou milho (center-pivot) e olival (rega localizada).
Relativamente à estrutura fundiária, as explorações são de média a grande dimensão. A área média dos prédios beneficiados é superior a 4 ha, sendo frequente existirem prédios contíguos pertencentes ou a ser explorados pelo mesmo proprietário.
Infra-estruturas colectivas
Os recursos hídricos a utilizar no Aproveitamento Hidroagrícola da Coutada/Tamujais são provenientes da albufeira da barragem da Coutada, na ribeira do Prior. Através do açude do Retaxo, localizado numa bacia hidrográfica adjacente à bacia da ribeira do Prior, efectua-se o desvio parcial da água para reforço dos recursos hídricos a armazenar na albufeira da barragem da Coutada.
| - precipitação média anual | 782 mm |
| - área da bacia hidrográfica | 9,2 km2 |
| - caudais de máxima cheia: T = 10 anos T = 1000 anos |
26,81 m3/s 64,41 m3/s |
| - volume total ao NPA (Nível de Pleno Armazenamento) | 3,9x106 m3 |
| - volume abaixo do Nme (Nível Mínimo de Exploração) | 36x103 m3 |
| - volume útil | 3,8x106 m3 |
| - área inundada ao NPA | 43,6 ha |
O açude do Retaxo, em betão, do tipo soleira galgável, com 8 m de altura, 99 m de comprimento e uma capacidade de armazenamento ao nível do NPA de 33x103 m3, inundando uma área de 2,2 há, permite o desvio de até cerca de 70% dos escoamentos verificados. O caudal derivado é conduzido através de uma conduta com diâmetro nominal de 800 mm, seguida de uma vala trapezoidal que lança o caudal transportado numa linha de água até à albufeira da barragem da Coutada.
A barragem, com uma altura máxima de 22,5 m, tem um perfil em aterro zonado. O paramento de montante é protegido com enrocamento e o de jusante com terra vegetal.
O descarregador de superfície, em betão, implantado na margem esquerda; com soleira espessa (WES), em posição frontal; canal de descarga rectangular e convergente no 2º troço, terminando numa estrutura de dissipação de energia por ressalto hidráulico (Bacia tipo III USBR).
| - precipitação média anual | 782 mm |
| - área da bacia hidrográfica | 9,2 km2 |
| - caudais de máxima cheia: T = 10 anos T = 1000 anos |
26,81 m3/s 64,41 m3/s |
A torre de tomada de água, em betão, com secção circular, tomada de água do tipo selectivo, com três níveis de captação; com grelhas e válvulas murais motorizadas, accionáveis por comando à distância ou manualmente a partir do nível superior da torre; o acesso a esses comandos é feito através de um passadiço.
A descarga de fundo e a tomada de água funcionam numa conduta comum, fundada sob o aterro da barragem. Tem início na base da torre de tomada de água, terminando numa estrutura de saída que contém a válvula de jacto oco, a derivação da rede de rega, através duma válvula de borboleta e o circuito hidráulico destinado a assegurar a gestão do caudal ecológico.
Imediatamente a jusante da barragem localiza-se a estação elevatória, constituída por um edifício equipado com 3 grupos elevatórios, com capacidade para elevar um caudal de 0,5 m3/s até uma altura manométrica de 65 m.
Os grupos elevatórios irão bombar o caudal para uma conduta de diâmetro 800 mm que já faz parte da rede de rega.
Para protecção do choque hidráulico e garantir o fornecimento de pequenos consumos, foi instalado um reservatório de ar comprimido (RAC), no exterior, junto ao edifício da estação elevatória.
A rede de rega desenvolve-se ao longo das margens das ribeiras do Lucriz, Tamujais e Prior, domina uma área de cerca de 390 ha, e tem aproximadamente 15,5 km de condutas, com diâmetros que variam entre DN 800 e DN 90 mm. Abrange 69 prédios, 79 tomadas de água, 3 ramais de rede de aproximação à parcela e 98 bocas de rega.
A distribuição de água é a pedido e em média pressão, a partir de um sistema elevatório comandado e protegido por uma central hidropneumática, que permite um caudal máximo de 519 l/s.
A pressão a montante das tomadas é no mínimo de 3 bar. As condutas instaladas são de PVC quando o seu diâmetro é menor ou igual a 500 mm(13,7 km), e de betão para diâmetros maiores ou iguais a 600 mm (1,8 km).
A rede de caminhos existentes, com uma extensão aproximada de 15 km, permite dar ligação à barragem, ao açude, aos eixos viários públicos mais importantes, garante um percurso com boas características em cada uma das margens do vale da ribeira do Lucriz, e garantem o acesso até aos prédios beneficiados. Apresentam uma largura média de 4,0 m e uma camada de desgaste em revestimento superficial betuminoso duplo.
A drenagem do perímetro foi assegurada com a implementação de um plano de reabilitação das linhas de água que percorrem toda a zona do aproveitamento, garantindo a circulação de escorrências naturais confinadas aos leitos normais das linhas de água principais, sem extravasarem para os campos adjacentes, e, a melhoria das condições de descarga/circulação entre as redes de drenagem superficial existentes ao nível da parcela e os cursos de água principais (drenagem externa). Actualmente estão regularizadas as principais linhas de água e de correcção torrencial, foi efectuada a limpeza e aumento de secção de vazão das ribeiras, linhas de água secundárias e passagens hidráulicas.
Nas ribeiras dos Tamujais, Prior e Lucriz procedeu-se à remoção de materiais superficiais e vegetação numa extensão de cerca de 5 km. As margens da ribeira do Lucriz também sofreram reperfilamento numa extensão de 2,25 km. Na área envolvente foram abertas e/ou limpas valas de drenagem em cerca de 2 km.
Estimativa de Custos de gestão e exploração
A água vai ser distribuída em pressão e a pedido, estando o sistema de rega preparado para responder automaticamente às variações dos pedidos.
Em relação à taxa de exploração e conservação podemos identificar três componentes principais, nomeadamente, despesas em energia e mão de obra (taxa de exploração) e despesas de conservação e reparação das diversas infra-estruturas (taxa de conservação).
Numa primeira fase considera-se que o funcionamento de todo o sistema seja garantido pela Junta de Agricultores com o apoio da DRAPC. Não se consideram quaisquer encargos. Posteriormente, à medida que aumentar o número de utilizadores, deverá ser ponderado outro tipo de gestão/custos.
De acordo com a estimativa apresentada no Estudo de Viabilidade, e atendendo à influência que a altura manométrica tem nos encargos com a energia, o respectivo consumo foi calculado em função da área efectivamente regada, do consumo médio anual por unidade de rega regada (m3/ha) e da altura manométrica, adaptando os rendimentos para o grupo de bombagem respectivo. Os encargos energéticos resultaram da multiplicação dos consumos de energia por um preço unitário de 15$00/kwh com um custo total anual de 20.700$00/ha ao qual equivale um custo de 3$60 por m3 bombado.
Actualmente, e atendendo a que ainda estão a decorrer os ensaios do sistema de rega (automatismo do sistema elevatório e rede de rega) não é possível considerar valores reais. O custo que é possível obter, função de uma média calculada com base na factura de Setembro/2009 da EDP é de 0,44 /kwh (564,09/1292 kwh), valor que não reflecte os custos reais a considerar para a fase de exploração.
O custo de conservação e reparação anual, segundo o Estudo de Viabilidade foi estimado com base nas seguintes percentagens do valor do investimento:
| Descrição | % |
|---|---|
| - barragem e órgãos anexos | 0,5 |
| - açude | 0,5 |
| - rede de rega em pressão | 0,5 |
| - caminhos | 0,5 |
| - Sistema elevatório | 1,5 |
| - regularização de ribeiras e drenagem | 1,0 |
Utilizando o mesmo critério, mas utilizando os valores reais do investimento, obtemos os seguintes encargos:
| Descrição | Investimento () | % | Valor () |
|---|---|---|---|
| - barragem e órgãos anexos | 3.685.928,95 | 0,5 | 18.429,64 |
| - açude | 517.251,88 | 0,5 | 2.586,26 |
| - rede de rega em pressão | 1.152.684,03 | 0,5 | 5.763,42 |
| - caminhos | 766.936,42 | 0,5 | 3.834,68 |
| - Sistema elevatório | 944.619,74 | 1,5 | 14.169,30 |
| - regularização de ribeiras e drenagem | 230.655,02 | 1,0 | 2.306,55 |
| Total | 47.089,85 |
Dividindo o valor obtido pela área total do regadio, resulta o valor final de 121/ha (47.089,85/390ha) para custos anuais de conservação e reparação.
Nesta fase, só podemos considerar os encargos de conservação e reparação como valores finais. Os encargos com mão de obra e energia, que representam uma despesa significativa a suportar pelos regantes, só poderão ser correctamente considerados após o decurso de uma campanha anual de rega, e quando se verificar uma aderência significativa do número de beneficiários.
1. Localização
DRAP Centro
Localização:
Distrito: Castelo Branco
Concelho: Vila Velha de Ródão
Freguesia: Perais
Região Hidrográfica: RH5
Bacia hidrográfica: Rio Tejo
Linha de água: Ribeira do Prior, do Lucriz e dos Tamujais
Carta Militar 1:25 000 n.ºs: 303 - 304 - 314 - 315
2. Dados Gerais
Objectivo: Agricultura e lazer
Ano de conclusão: 2008
Área total do regadio: 390 ha
Área útil: +350 ha
N.º de beneficiários previstos: 45
Adesão ao regadio: Encontra-se em fase de primeiro enchimento
Ocupação cultural: forragens, milho, tabaco e olival
Origem da água: superficial
Fornecimento de água às explorações: média pressão (> 3 bar) e gravidade
Gestão: Junta de Agricultores do regadio colectivo da Coutada
Sistema tarifário: A definir (os hidrantes estão equipados com contadores)
3. Infra-estruturas existentes
Barragem da Coutada
Altura máx. acima do leito: 22,5 m
Desenvolvimento do coroamento: 412 m
Capacidade útil da albufeira: 3,807 hm3
Rede de Rega: 15,5 Km
Rede de Drenagem: 5,0 Km (limpeza) + 2,25 km (reperfilamento)
Rede Viária: 15,2 km




























